Subsídio E.B.D Lição nº 02

Data: 09/01/2015

O PADRÃO DA LEI MORAL
Texto Áureo Dt. 4.13 – Leitura Bíblica Dt. 9.9-11;10.1-5




INTRODUÇÃO
Na aula de hoje nos voltaremos para os fundamentos da lei moral, ou melhor, da torah divina, ressaltando suas aplicações para os dias de hoje. Inicialmente colocaremos as dez palavras, ou mandamentos, no contexto israelita. Em seguida, apontaremos as possibilidades de uso da torah no contexto eclesiástico. Por fim, ressaltaremos os aspectos interpretativos em relação às dez palavras.

1. AS DEZ PALAVRAS
A expressão “as dez palavras”, em hebraico, asseret hadebarim, revelam o aspecto diretivo da lei divina. Em poucos termos o Deus de Israel se volta para Seu povo, a fim de que esse saiba como se conduzir. Essas palavras tinham como objetivo preservar a nação que estava em construção, para que não se perdesse, em razão dos seus pecados. A origem dessas palavras está no próprio Deus, pois em Ex. 20.1 está escrito “Então, falou Deus todas estas palavras, dizendo”. Trata-se, portanto, de uma revelação, que deve ser acatada com humildade, sobretudo com gratidão. O Senhor Deus, que tirou o povo do Egito, da casa da servidão, é o mesmo que oferece o caminho para uma vida próspera (Ex. 20.2). Ele exige exclusividade, que Israel não tenha outro Deus além dEle (Ex. 20.3). Sendo o Único e Verdadeiro Deus, deve ser adorado em conformidade com Sua revelação (Ex. 20.4). Seu nome não pode ser tomado em vão (Ex. 20.7), e que é Senhor do tempo, por isso devemos dedicar momentos para o descanso e a contemplação (Ex. 20.7). Deus exige que haja respeito às autoridades, a começar pelo lar no qual os filhos devem honrar seus pais (Ex. 20.12). A vida tem valor primordial para Deus, por isso ninguém deve tirá-la (Ex. 20.13). O sexo foi criado por Deus, mas não pode ser usado indevidamente, por isso o Senhor dá orientações contra o adultério, preservando, assim, o matrimônio (Ex. 20.14). O Deus que se revelou no Sinai é Verdadeiro, por isso exige que Seu povo fale a verdade, não dando falso testemunho (Ex. 20.16). O princípio da propriedade também é respeitado, por isso ninguém deve se apropriar do que é do outro (Ex. 20.15). Ao mesmo tempo, espera-se que as pessoas cultivem o contentamento, e não se deixem conduzir pela cobiça (Ex. 20.17).

2. A UTILIDADE DA TORAH
A torah de Deus é boa, o problema não está com a lei (I Tm. 1.8), antes com o ser humano, por causa da sua condição pecaminosa. Existe um problema na supervalorização que se está dando à doutrina da graça e do amor divino nos dias atuais. Por causa disso, estão transformando o evangelho naquilo que Bonhoeffer denominou de “graça barata”. Ninguém deveria receber a graça sem antes conhecer a força da lei. Como diz o hino da Harpa Cristã: “mais um dia senti meu pecado e vi sobre mim a espada da lei, apressado fugi em Jesus me escondi, e abrigo seguro nEle achei”. Existe uma dialética na torah, ao mesmo tempo em que ela exige santidade, é incapaz de fazer com que a pessoa se torne santa. Por isso a lei revela a necessidade de uma Salvador. É a partir do conhecimento, não apenas intelectual, sobretudo experiencial, que podemos encontrar a verdadeira liberdade (Jo. 8.36). É na liberdade que Cristo nos dá (Gl. 5.13) que passamos a viver como servos (I Pe. 2.16). A expressão maior dessa liberdade é o amor, pois a torah se cumpre no amor (Gl. 5.14; Mt. 22.37-40; Jo. 14.15). O evangelho de Jesus nos impulsiona à obediência em amor. Paulo explica aos romanos que “veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça; para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm. 5.20,21). Isso acontece porque ninguém é capaz de obedecer a torah, nenhuma carne pode ser justificada pelas obras da lei, por ela vem apenas o conhecimento do pecado (Rm. 3.20).

3. A INTERPRETAÇÃO DA TORAH
Uma interpretação cristocêntrica da torah é necessária, para evitar os extremos do legalismo, que muito prejudicou as igrejas da região da Galácia (Gl. 1.7-9; 3.1-3). A orientação fundamental é considerar a norma hermenêutica: A Bíblia interpreta a Bíblia. Avaliar passagens correlacionadas, respeitando o contexto, é um cuidado que todo intérprete das Escrituras deve ter. Se toda a lei se resume no amor, não podemos fugir desse princípio hermenêutico (Rm. 13.10). Isso não quer dizer que devemos desconsiderar a lei, muito menos a necessidade de disciplina quando essa for necessária (I Co. 5.1-13). Mas também devemos atentar para o fato bíblico de que todos pecaram (Rm. 3.23), e que se tornaram carentes do dom gratuito de Deus (Rm. 6.23). Ao mesmo tempo em que devemos envidar todos os esforços para obedecer a torah, dependendo principalmente do fruto do Espírito (Gl. 5.16-22), devemos saber que somos limitados, e que podemos nos tornar culpados de todos, ainda que venhamos a tropeçar em apenas um dos seus itens (Tg. 2.10). Por isso não podemos perder Jesus de vista na interpretação da torah, pois o fim da lei é Cristo (Rm. 10.14), tendo Ele nascido sob a lei (Gl. 4.4), cumprido sua justiça (Mt. 3.15), e não cometendo pecado (I Pe. 2.2). Jesus foi crucificado “para que a justiça da Lei se cumprisse em nós” (Rm. 8.4). A morte de Cristo na cruz do calvário é a certeza da nossa salvação. Porque Ele cumpriu a Lei, vivemos pela fé, na esperança que se consumará na eternidade. Como diz a letra de um hino antigo, “a cruz foi a caneta que escreveu com sangue tua salvação”.

CONCLUSÃO
Jesus é o padrão da lei moral, é o Exemplo a ser seguido, Deus não espera menos de nós. Cada dia, na comunhão com o Espírito Santo, somos direcionados a imitar o caráter de Cristo. Nas palavras de Paulo esse é um “andar no Espírito”. Não podemos perder o alvo de vista, por isso, se esquecendo das coisas que para trás ficam, sigamos adiante com os olhos fitos em Cristo (Fp. 3.13,14), sabendo que Ele é o Autor e Consumador da nossa fé (Hb. 12.2).

Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
www.subsidioebd.blogspot.com
Twitter: @subsidioEBD

BIBLIOGRAFIA
PACKER, J. I. Keeping the 10 commandments. Wheaton: Crossway Books, 2007.
RYKEN, P. G. Os dez mandamentos para os dias de hoje. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.
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